As incómodas e deslumbrantes Parton e Steinem
Eu ia pela dupla Angine de Poitrine, Interpol e por Grace Jones. Tinha o programa organizado e Robbie Williams não fazia parte dele.
Quem insistiu foi o Alexandre Borges, meu querido amigo. Tem uma das vozes mais bonitas do mundo, imediatamente a seguir à de Leonard Cohen. Tenho um fascínio por pessoas com uma voz bonita. Adiante. O Alexandre queria muito ver Robbie Williams e nem a voz dele me impediu de revirar os olhos várias vezes.
Há momentos em que a amizade consiste precisamente nisto: aceitar um concerto que não queremos ver.
Robbie Williams entrou em palco com um sonoro “Hello, motherfuckers” e conquistou-me imediatamente. Há entradas que dispensam apresentações e preconceitos que demoram exatamente três segundos a cair.
O problema de termos opiniões muito bem arrumadas é este: de vez em quando aparece alguém e estraga-nos a decoração.
Robbie foi contando a sua vida. Falou dos excessos, das quedas, das fragilidades. Da mulher, dos filhos, do amor que lhes tem. Havia uma vulnerabilidade naquela maneira de falar que eu não esperava encontrar num palco daquele tamanho. Percebia-se bem aquilo que tantas vezes se diz sobre ele: não é apenas um cantor. É um entertainer. E a palavra, que às vezes parece diminuir quem canta, ali queria dizer exatamente o contrário.
Sabe aproximar. Talvez seja essa uma das coisas mais difíceis de fazer em palco: criar intimidade e transformar uma multidão num encontro que acede ao maravilhamento. Não sabemos o nome de quem está ao nosso lado, nem a vida que trouxe consigo. Mas, de repente, comove-nos a mesma coisa.
A certa altura,........
