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A morte dos banqueiros

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06.03.2026

O mundo está em acelerada mudança, passámos da Era dos banqueiros à Indústria bancária.

Começo com um lugar-comum, uma evidência que nos traz uma pergunta: existirá um limite na rapidez da transformação, uma espécie de teto evolutivo? Ou, pelo contrário, a revolução tecnológica terá como consequência que o nosso destino coletivo nunca mais terá um porto de abrigo onde possamos descansar?

Nestes artigos tento pensar sobre o mundo, trocar ideias acerca do que me inquieta, surpreende ou mobiliza. Sou sobretudo jurista de formação e lidero uma Caixa Agrícola que é a de maior balanço do país a operar num só concelho. Temos crescido muito, apresentaremos provavelmente os nossos melhores resultados em 111 anos de história, mas é necessária a humildade de nunca deixarmos de pensar sobre a imensidão do mundo, o que nos transcende e o que podemos travar num movimento que nos obriga a correr, desenfreadamente, sem cuidar do que pelo caminho vamos semeando.

Proponho hoje que pensemos sobre a impossibilidade de existirem banqueiros como nós os reconhecíamos. Homens como Manuel Espírito Santo, no Estado Novo, e Jorge Jardim Gonçalves, depois de 1974, são irrepetíveis por uma soma de fatores.

Olhemos para os dois. Manuel, filho do fundador do Banco Espírito Santo, e tio-avô de Ricardo Salgado, foi a figura maior da segunda geração da família. Durante décadas alimentou uma relação com Salazar, encontravam-se todas as sextas-feiras em São Bento. Contava do mundo ao presidente do Conselho – o que se passava nos lugares dos ricos, como funcionava a economia real e a razão para apoiar determinados projetos em função de um instinto. Salazar........

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