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Reinventar o Estado para os mais vulneráveis

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03.06.2026

Portugal vive uma contradição profunda. Por um lado, os indicadores oficiais mostram alguma redução da pobreza. Por outro, a riqueza continua extremamente concentrada, pois cerca de metade da população partilha menos de 4% da riqueza nacional. Entre estes dois retratos estatísticos existe uma realidade que os números médios muitas vezes escondem. Milhares de famílias trabalham, pagam impostos e cumprem as suas obrigações, mas vivem cada vez mais perto da pobreza.

A principal razão é o custo da habitação. Em 2024, a taxa de risco de pobreza situava-se nos 16,6%. No entanto, quando se descontam os custos da habitação, essa taxa sobe para quase 28%. Isto significa que mais de um quarto da população portuguesa fica em situação de vulnerabilidade económica depois de pagar a renda ou a prestação da casa.

Esta situação não surgiu por acaso. Durante décadas foram enfraquecidos muitos dos mecanismos de redistribuição que procuravam reduzir desigualdades. A desregulação dos mercados, os benefícios fiscais para grandes capitais, a crescente financeirização da economia e a fragilização de partes do Estado Social contribuíram para uma sociedade onde a riqueza se concentra cada vez mais e onde os rendimentos do trabalho suportam uma parte desproporcionada do esforço fiscal.

Ao mesmo tempo, Portugal registou uma das maiores subidas dos preços da habitação da Europa. Segundo dados recentes, os preços das casas aumentaram mais de 16% em termos reais, representando a terceira maior subida entre quase 60 países analisados e a maior da Zona Euro.........

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