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O "cibernantropo" chegou às escolas

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22.07.2026

Há 42 anos escrevemos um trabalho sobre comunicação e poder na informatização das organizações, para o Concurso de Acesso à categoria de assessor no Instituto de Informática do Ministério das Finanças. Já ali percebíamos algo que continua por resolver, ao constatarmos que a tecnologia não entra suavemente no Estado. Entra como um exército numa cidade estrangeira, tropeçando em resistências, em rotinas, em gente que prefere o incómodo que já conhece à promessa de um bem-estar que ainda não viu.

"Classifique com os dados que tem!" Esta foi a frase mais certeira, que foi dita há dias num fórum online de professores classificadores, por um supervisor confrontado com a resposta incompleta de um aluno.

Essa frase resume bem o que se passou este mês com o EduQA e a sua plataforma de classificação dos Exames Nacionais. Provas cortadas ao digitalizar, folhas que nunca chegaram aos professores, respostas atribuídas a dois classificadores ao mesmo tempo, sem que nenhum soubesse, e contagens que a própria entidade admitiu por escrito poderem estar erradas. O prazo para entregar as notas, que devia fechar a 14 de julho, foi sendo empurrado dia após dia.

E enquanto isto acontecia, o Governo escolheu precisamente estas semanas para apresentar, com toda a pompa e circunstância, o seu modelo de Inteligência Artificial........

© Diário de Notícias