A máquina de nos tornar maquinismos
Eu é um outro – quando Rimbaud exprimiu esta máxima abordou o essencial da escrita e da arte: procuramos, por muito que nos mantenhamos agarrados ao nosso pobre eu, essa capacidade de ser outro que reside na invenção de personagens e situações fictícias, na tensão com as palavras e os seus sentidos que trabalha toda a poesia, na entrega às cores e aos sons, para além da mímese, na busca de um fator de perturbação, que alargue e ilumine a nossa percepção do mundo.
Toda a simplificação e redução da capacidade de invenção de mundos possíveis e de identificação com o outro de nós mesmos atenta contra a nossa condição humana. O fascínio pela mecanização da Humanidade ou pela sua superação por máquinas pós humanas tem que ver com essa vontade,........
