Radamés e Aida no século XXI?
Radamés, o general egípcio, e Aida, a escrava etíope que afinal é uma princesa, são personagens tão famosas como trágicas às quais Giuseppe Verdi deu vida através da música. No sábado tive oportunidade de assistir a uma representação em Lisboa, no Coliseu dos Recreios, de Aida, e confesso que gostei, mas não é critica musical que aqui vou fazer, até porque este é o jornal em que Joaquim Seabra Pessoa, pai de Fernando Pessoa, escreveu, e ele sim com grande conhecimento, sobre essa ópera quando se estreou em Portugal, em 1878. O que quero realçar é que a inimizade entre egípcios e etíopes, que já existia nos tempos faraónicos que Verdi escolheu para situar a história de amor de Radamés e Aida, mantém-se até hoje, levando cada país, por exemplo, a apoiar lados opostos na guerra civil sudanesa, e causando uma tensão regional tão forte que os Estados Unidos, através do presidente Donald Trump, já se ofereceram como mediadores.
Se houver uma nova guerra entre o Egito e a Etiópia será por causa da água........
