O mundo visto de Munique
Quando morreu, em 2013, os obituários publicados nos jornais sobre Ewald-Heinrich von Kleist, descreveram-no como o último dos oficiais alemães que estiveram envolvidos na conspiração para matar Adolf Hitler, na fase final da Segunda Guerra Mundial. O líder do complô, o conde Claus von Stauffenberg, recrutou-o uns meses antes de julho de 1944, data do fracassado atentado contra o Führer.
Tal como muitos dos oficiais que se rebelaram contra Hitler, Von Kleist pertencia a uma família prussiana influente, com tradição militar. O seu pai, também ativo contra o nazismo, acabou por ser executado perto do fim da guerra. Mas ele conseguiu escapar (por falta de provas?) e foi enviado para a frente de combate, contra os soviéticos, sobrevivendo. Depois da rendição nazi, numa nova Alemanha reconstruída, disse acreditar que terá escapado à pena de morte porque ninguém o denunciou à Gestapo.
Ora, este alemão corajoso, que viveu a tragédia que é a guerra, criou em 1963 aquilo que hoje conhecemos como Conferência de Segurança de Munique. A ideia seria discutir como manter a paz, e a segurança do Ocidente, naquela época de Guerra Fria.
Passadas seis décadas, a Conferência, realizada no Hotel........
