As lições da antiga Legação Americana em Tânger
Em Tânger há um edifício que hoje funciona como centro cultural e museu, mas que durante mais de um século foi a Legação Americana em Marrocos. Oferecido em 1821 aos Estados Unidos por um sultão marroquino, é o único Monumento Histórico Nacional americano no estrangeiro, como destaca o próprio Departamento de Estado. O site do equivalente americano ao Ministério dos Negócios Estrangeiros relembra também que logo em 1777 um outro sultão da Dinastia Alauita, a mesma a que pertence o atual rei Mohammed VI, autorizou os navios com bandeira americana a entrar livremente nos portos do reino. A Declaração de Independência tinha apenas um ano e não era certo que a rebelião das 13 colónias contra Jorge III de Inglaterra fosse bem sucedida, mas esse pioneirismo vale a Marrocos ser referido como o primeiro país a reconhecer a nova nação. Seguiu-se, ainda no século XVIII, um Tratado de Paz e Amizade que é considerado o mais antigo em vigor dos Estados Unidos.
Engana-se quem pensar que o decreto a autorizar a entrada nos portos, o tratado de amizade ou a oferta do edifício de traça mourisca são apenas curiosidades históricas. A relação próxima entre Marrocos e os Estados Unidos é antiga, mas certamente também atual. No dia da celebração da ascensão ao trono de Mohammed VI, quando todas as atenções estavam centradas na crise migratória em Ceuta, uma mensagem do secretário de Estado Marco Rubio, na linha de uma do próprio presidente, reafirmava com clareza a ligação com dois séculos e meio, mas também a geopolítica do século XXI.
“Há quase 250 anos que os Estados Unidos e Marrocos partilham a mais longa amizade da história americana. Trata-se........
