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As guerras longe podem ser surpreendentemente próximas

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17.03.2026

Os portugueses gostam da ideia de globalização. Na verdade, até deram um grande contributo para a sua primeira versão, há cinco séculos, quando a descoberta do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama, somada à descoberta da América por Cristóvão Colombo, pôs todos os continentes a comunicarem entre si com surpreendente facilidade. Foi uma aventura tão multifacetada, essa da expansão marítima, que a ilha iraniana de Ormuz, que dá nome ao estreito que controla o acesso ao Golfo Pérsico, chegou a ser portuguesa mais de 100 anos. E lá ficou a fortaleza.

Faz parte da lógica da globalização, entendida como a circulação de bens e de pessoas, e de ideias, que nada do que se passa longe, seja efetivamente longe. Veja-se o impacto da atual guerra no Irão, iniciada com um ataque dos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro. Lisboa bem pode ficar a mais de 5000 quilómetros de Teerão, portanto longe dos mísseis e dos drones que atravessam hoje, nos dois sentidos, o Estreito de Ormuz, mas os portugueses já sentem nos preços dos combustíveis o impacto de uma guerra da qual se sabe quando começou, mas não se tem ideia de quando terminará. A economia vai ser afetada, mesmo que a aposta nas renováveis defenda um pouco o país. Só um pouco.

Americanos e israelitas insistem em bombardear o Irão, seja para o impedir de ter a bomba nuclear, seja para derrubar um regime que há quase meio século que é inimigo de ambos, enquanto os iranianos, pelo menos o tal regime dos ayatollahs que os governa, aposta na resistência, retaliando contra Israel e as bases........

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