O Estado que sabe e o Estado que falha
Luís Montenegro disse-o quase de passagem, em Bruxelas, com a contenção de quem não quer transformar uma falha institucional numa querela pessoal. Lamentou ter sabido pelos jornais que era alvo de um plano do Movimento Armilar Lusitano e acrescentou, com razão, que o problema não se esgota nele: pode atingir qualquer cidadão. A frase foi discreta; o seu conteúdo, não.
O que ali ficou exposto foi uma falha do Estado que protege. E a ironia é difícil de escamotear: o dever de aviso não existe porque Luís Montenegro seja figura pública, mas porque é o titular de um órgão de soberania. E esse titular superintende, por lei, o Sistema de Informações da República. Dirige, também, a política de segurança interna. O sistema falhou em avisar quem está no topo da sua própria arquitectura.
Convém desfazer uma confusão que se tornou, em alguns sectores, quase uma desculpa. Falou-se em segredo de justiça como se fosse um muro absoluto. Não é. E, sobretudo, não era esse o ponto relevante. O segredo de justiça protege a........
