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A História não se defende sozinha

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31.08.2026

Circulou recentemente no WhatsApp e nas redes um texto em castelhano, mais um entre tantos, sem autor e com ar de dossier confidencial. Diz isto: em 2001 a Rússia pôs-se generosamente ao serviço de Washington contra o terrorismo; em troca, a NATO humilhou-a com o maior alargamento da sua história; Putin, leão ferido, reagiu invadindo a Crimeia em 2008 e foi punido com sanções; a China aprendeu a lição, esvazia hoje a dívida americana e prepara Taiwan; e o Ocidente já perdeu.

Chega-me com frequência, em versões diferentes. Vale a pena pegar nessas afirmações uma a uma, pela ordem em que as serve.Que a Rússia se pôs ao serviço dos Estados Unidos em 2001 é meia verdade. Não houve generosidade, houve interesse coincidente. Moscovo travava a sua guerra na Chechénia e tentava reclassificá-la, aos olhos do mundo, como guerra colonial para combate ao terrorismo. O 11 de Setembro deu-lhe esse enquadramento, e Putin, ao ser o primeiro a telefonar a Bush, comprou silêncio sobre Grozni. Foi um bom cálculo, não foi um favor.Diz o texto que a NATO lhe fechou a porta. É falso, e tenho testemunho directo: abriu-a de par em par, e eu estive lá para ver. O Conselho NATO-Rússia, criado em Roma em 2002, sentava Moscovo à mesa em........

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