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A geometria variável da indignação

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01.06.2026

Uma parte influente da esquerda europeia descobriu uma geometria moral curiosa. Quanto mais democrático o país, mais feroz a indignação.

Há uma pergunta que evita, sem resposta que se sustente. Por que se indigna mais com um país onde se pode protestar do que com um onde protestar dá cadeia? A voz que enche as praças por Gaza quase não se ouve sobre os uigures ou sobre o Sudão, e a Bienal de Veneza inflama-se com Israel e nunca com a China. A variável nunca foi o sofrimento. Foi sempre a identidade de quem o causa.

Israel e a América de Trump pagam caro o que mais devia protegê-los: serem democracias. Democracias de direita, por vezes radical, mas democracias. O inimigo desta esquerda não é o tirano distante. É o adversário de casa, aquele que teme ver crescer à sua porta. Israel é o ecrã onde projecta a guerra que de facto trava contra a sua própria direita.

Sob essa projecção, um ódio muito antigo reencontrou um nome aceitável. Mudou de pele. Foi religioso, foi racial, é hoje anti-sionismo. Nem todo o anti-sionismo é anti-semitismo, e seria desonesto dizê-lo. Mas uma parte significativa funciona como o seu veículo politicamente admissível e diz em praça pública o que o anti-semitismo já não........

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