O ‘Power of Siberia 2’ como retrato da crescente dependência da Rússia em relação à China
Uma notícia recente no Wall Street Journal trouxe à baila o projeto do gasoduto Power of Siberia 2.
O projeto do gasoduto Power of Siberia 2, concebido para desviar o gás natural russo que antes abastecia a Europa para o mercado asiático, tem enfrentado profundos impasses. Embora Moscovo o apresente como um pilar estratégico da sua “viragem para a Ásia”, as negociações com a R. P. da China – que começaram em 2012 – e a execução prática do projeto enfrentam barreiras complexas.
1. Dificuldades subjacentes à negociação (Rússia vs. China)
As negociações entre Moscovo e Pequim atingiram um impasse severo, motivado por um desequilíbrio no poder de negociação e por divergências comerciais profundas.
A “guerra” de preços (o maior entrave): A China está ciente da dependência económica da Rússia e tem adotado uma postura extremamente agressiva. Pequim exige comprar o gás a preços equivalentes aos praticados no mercado doméstico russo (cerca de $50 dólares por mil metros cúbicos), que são fortemente subsidiados. Para a Gazprom, vender a este preço significaria operar com prejuízo estrutural. A China já beneficia de um desconto substancial no gasoduto Power of Siberia 1 (40 bcm/ano); este ano, Pequim está a pagar cerca de 258,8 dólares por 1000 metros cúbicos. Para se ter uma ideia da disparidade, este preço representa menos 38% do que o preço pago por outros clientes estrangeiros da Gazprom, estimado em 420,2 dólares. No próximo ano, prevê-se que o preço para a China desça para 223,9 dólares por 1000 metros cúbicos, representando um desconto adicional de 13,4%.
A “guerra” de preços (o maior entrave): A China está ciente da dependência económica da Rússia e tem adotado uma postura extremamente agressiva. Pequim exige comprar o gás a preços equivalentes aos praticados no mercado doméstico russo (cerca de $50 dólares por mil metros cúbicos), que são fortemente subsidiados. Para a Gazprom, vender a este preço significaria operar com prejuízo estrutural. A China já beneficia de um desconto substancial no gasoduto Power of Siberia 1 (40 bcm/ano); este ano, Pequim está a pagar cerca de 258,8 dólares por 1000 metros cúbicos. Para se ter uma ideia da disparidade, este preço representa menos 38% do que o preço pago por outros clientes estrangeiros da Gazprom, estimado em 420,2 dólares. No próximo ano, prevê-se que o preço para a China desça para 223,9 dólares por 1000 metros cúbicos, representando um desconto adicional de 13,4%.
A cláusula “take-or-pay” (pegar ou pagar): Nos contratos tradicionais de longo prazo, o comprador obriga-se a pagar por uma percentagem mínima do volume anual (geralmente à volta de 80%), mesmo que não consuma o gás. A China tem tentado flexibilizar esta fasquia para valores muito mais baixos (próximos de 50%), reduzindo o seu risco comercial e transferindo a incerteza para a Rússia.
A cláusula “take-or-pay” (pegar ou pagar): Nos contratos tradicionais de longo prazo, o comprador obriga-se a pagar por uma percentagem mínima do volume anual (geralmente à volta de 80%), mesmo que não consuma o gás. A China tem tentado flexibilizar esta fasquia para valores muito mais baixos (próximos de 50%), reduzindo o seu risco comercial e transferindo a incerteza para a Rússia.
Estratégia chinesa de diversificação energética: Pequim tem como regra de segurança nacional não depender excessivamente de um único fornecedor. A China já recebe gás da Ásia Central (Turquemenistão, Cazaquistão), de Myanmar e possui uma vasta rede de terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) para receber navios de empresas do Catar, Austrália e outros 20 países fornecedores. Se aceitar a capacidade total do Power of Siberia 2 (50 bcm/ano), a dependência face à Rússia dispararia para níveis com os quais Pequim não se sente confortável.
Estratégia chinesa de diversificação energética: Pequim tem como regra de segurança nacional não depender excessivamente de um único fornecedor. A China já recebe gás da Ásia Central (Turquemenistão, Cazaquistão), de Myanmar e possui uma........
