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Glória e desconcerto

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04.03.2026

Não por acaso, nós portugueses escolhemos como símbolo da nossa identidade um poeta. Encontramos noutros casos heróis, guerreiros, símbolos míticos, mas não poetas, pessoas de carne e osso, com o seu talento, as suas angústias e dúvidas.

Camões, Poeta, Herói n’Os Lusíadas (Tinta da China) de Helena Buescu constitui uma magnífica reflexão sobre o caráter único de Camões, enquanto símbolo de uma cultura criativa e fecunda, partindo de Keats, que nos fala, de capacidade negativa, correspondendo nos grandes autores, como Shakespeare, à descrição de um mundo contraditório, envolvendo a um tempo, glorificação e desconcerto.

Como fez Virgílio, o mestre da Eneida, inspirador de Camões, este proclama no seu poema maior a importância da fama, cabendo-lhe não só enaltecer o acontecimento que elogia, mas também........

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