A queda de um príncipe
Assim que deixou de ser príncipe do Reino Unido, Andrew Mountbatten-Windsor perdeu também o privilégio de ser André para os portugueses. As regras são claras: só reis e príncipes têm direito a tradução e plebeus estrangeiros ficam com o nome original. E é curioso como esta distinção linguística resume, de forma quase cruel, a metamorfose do homem. Esta crónica é, por isso, tanto sobre Andrew - o suspeito detido ontem por alegadamente ter passado informação confidencial ao seu velho amigo e cúmplice Jeffrey Epstein - como sobre André, o príncipe nascido na púrpura, que protagonizou a mais espetacular queda em desgraça das últimas décadas.
O terceiro filho de Isabel II e do príncipe Filipe parecia condenado a uma existência confortável, discreta e sem sobressaltos. Não herdaria a coroa, não carregava o peso da História e não era alvo de escrutínio permanente. Durante décadas, André navegou acima das polémicas, protegido pela aura de “filho preferido” da rainha e por uma imprensa que, não raras........
