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PSD era Chega antes de o Chega chegar

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16.06.2026

Pode fazer sentido, do ponto de vista tático, lamentar que o PSD (nem vale a pena falar do CDS-PP, uma inexistência que só serve para dar a cara pelos diplomas mais estapafúrdios da parelha) se esmere na apresentação e/ou aprovação de propostas típicas da extrema-direita, como a ridícula lei sobre bandeiras em edifícios públicos ou a proibição de determinados tratamentos médicos (sublinhado em médicos) a jovens com incongruência de género. Mas para sustentar esse tipo de lamúria é necessário fazer de conta de que não se conhece o palmarés do partido. 

Um caso paradigmático desse tipo de atitude é a discussão sobre a proposta da Prestação Social Única (PSU): são inúmeras as vozes que têm verberado o Governo por aquilo que descrevem (com razão) como uma repugnante crueldade. Houve até quem — o comentador da Rádio Renascença Henrique Raposo — exprimisse o seu profundo nojo pela proposta, que qualifica de “cobarde e imoral”, e de “uma insensibilidade social e humana inacreditável”, concluindo que a seu ver o primeiro-ministro e a ministra do Trabalho conseguem ser “personagens políticas mais odiosas e desprezíveis” que André Ventura. No mesmo comentário, Raposo congratulou-se por não ter votado neste governo, certificando sentir “vergonha alheia” por quem o tenha feito.

Ora na verdade não há motivo para que anteriores votantes no PSD ou nas coligações que este celebrou com o CDS-PP se surpreendam com a insensibilidade social e humana que divisam nesta proposta concreta. É que quer em 2002 quer em 2012 (ou seja, nos últimos governos efetivos da coligação) foram apresentados e aprovados diplomas no mesmíssimo sentido — o de, recorrendo ainda às palavras do comentador citado, “atacar os mais fracos”.

Vejamos: em 2002, entre várias alterações que efetuou à prestação que até então se denominava de Rendimento Mínimo Garantido e a qual agora o Governo quer integrar na dita PSU, o executivo de Durão Barroso incluiu a exclusão de adultos........

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