Cotrim de Figueiredo e o liberalismo só para homens
Todas e todos demos pelo facto de o candidato da Iniciativa Liberal ter passado a última semana da campanha acossado pela alegação de que assediou sexualmente uma assessora do grupo parlamentar. É um assunto que está longe de esclarecido — de acordo com o próprio e com a ex-assessora, haverá sequência em sede judicial, e mesmo do ponto de vista jornalístico a matéria não foi fechada — pelo que não me alongarei sobre ele.
Notarei apenas três coisas a esse propósito. Uma é que a forma como Cotrim de Figueiredo reagiu às alegações demonstrou uma notória incapacidade de manter graça sob fogo — quer por começar por insinuar tratar-se de uma manobra de “campanha negra” da parte da AD (por a alegada vítima trabalhar num gabinete ministerial), quer pelas acusações desorbitadas aos jornalistas (“Vocês mataram-me”), quer pelo facto, gravíssimo e revelador de (mau) caráter, de os querer acicatar a investigar a sua alegada vítima e eventuais outras queixas de assédio que esta teria apresentado (como se, a ser verdade, esse facto a descredibilizasse).
Outra é que o candidato da Iniciativa Liberal tem razão quando diz que a pergunta inicial não lhe deveria ter sido feita antes de qualquer averiguação prévia e sobretudo porque a informação que levou à pergunta advinha de uma publicação privada (“só para amigos chegados”) — fiquei, confesso, boquiaberta quando ouvi a questão em direto na televisão e o vi responder. Mas perde toda a razão porque admitiu que foi previamente avisado de que a pergunta ia ser feita e teve tempo de preparar a resposta — o que implica que aceitou responder quando podia recusar.
É curioso porque esta atitude de Cotrim de Figueiredo, da qual ele e a sua campanha se terão mil vezes arrependido, emula a de Boaventura de Sousa Santos, também ele alvo de alegações de assédio sexual (e os paralelismos não se esgotam aqui): no caso do sociólogo, foi ele que, em resposta ao DN em abril de 2023, assumiu que o “Professor Estrela”, figura........
