Trabalhar na esperança de vida, a matar
Há algo de profundamente errado num país onde milhares de portugueses começam a trabalhar cedo, descontam durante décadas, contribuem para o crescimento da economia e para a sustentabilidade da Segurança Social, mas são obrigados a prolongar sucessivamente a sua vida ativa porque a idade da reforma continua a aumentar.
Hoje, em Portugal, a idade normal de acesso à reforma situa-se nos 66 anos e 9 meses e já está prevista uma nova subida para os 66 anos e 11 meses. Tudo isto porque o sistema continua indexado à evolução da esperança média de vida. Na prática, quanto mais vivemos, mais somos obrigados a trabalhar.
A questão que importa colocar é simples: será isto justo?
Ninguém defende a insustentabilidade da Segurança Social, nem ignora os desafios demográficos que Portugal enfrenta. Mas uma coisa é garantir a sustentabilidade do sistema, outra é transformar essa sustentabilidade numa penalização permanente para quem trabalhou uma vida.
Quem começou a trabalhar aos 20 anos e........
