menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Um Nobel da Paz bem entregue

20 1
19.01.2026

O prestígio da Sala Oval enquanto um dos lugares mais poderosos do mundo não a exime de características mundanas, como ter paredes. Há um limite físico ao que pode acomodar. Quando quem a preside é Donald Trump, impõe-se outro limite, mais intransigente: só há espaço para um único ego.

María Corina Machado deu provas de perceber o chão que pisa quando, na quinta-feira, em Washington, ofereceu a sua medalha do Prémio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos da América.

A líder da oposição venezuelana tem objectivos claros: iniciar a transição democrática no seu país; e participar nesse processo. Um e outro dependem de Trump, que tutela de facto a Venezuela. As coisas são como são, Trump é como é, e os interesses da Venezuela têm primazia. Ao entregar a medalha a Trump, María Corina Machado albardou o burro à vontade do burro.

A forma como este gesto é interpretado por comentadores e opiniões públicas na Europa não entra nas contas de Machado. A um só tempo, está a aproximar-se do detentor do poder real e a falar para o seu eleitorado na Venezuela, que muito provavelmente entendeu a concessão à vaidade de Trump como........

© Diário de Notícias