Ceuta expôs o desequilíbrio ibérico
Ceuta caiu da agenda mediática, mas os problemas continuam todos no mesmo sítio. Porque o assunto interessa a Portugal, vale a pena regressar ao exclave espanhol.
Comecemos pela relação de Espanha com Marrocos, gerida nas últimas décadas com base numa lógica saída da Guerra Fria e do alegado fim da História: as interdependências evitam conflitos. Quanto maiores forem os laços comerciais e políticos, mais intensas serão as dependências mútuas e, por conseguinte, menores os incentivos para disputas.
Madrid apostou então num “colchão de interesses” com Rabat: economia, política, energia e segurança criaram uma espécie de leito matrimonial, domando causas de tensão com décadas de existência.
Portugal beneficia deste arranjo. A Península Ibérica não é uma unidade política, mas é uma unidade geográfica. Há vantagens gerais, em particular no combate ao terrorismo, ao narcotráfico e à imigração ilegal.
Mas o “colchão de interesses” não se aguenta sozinho. Assenta num estrado feito de equilíbrios de poder. Perante a crise em........
