Saúde Mental e Catástrofes Naturais
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Saúde Mental e Catástrofes Naturais
Uma catástrofe natural rompe a sensação básica de segurança. O mundo, que parecia previsível, torna-se ameaçador. Nas semanas seguintes não é incomum surgirem insónia, irritabilidade, estado de alerta constante, tristeza ou medo de que volte a acontecer. Estas reações não são, por si só, doença. São respostas humanas a situações que põem em risco a sua existência.
A doença começa quando os sintomas persistem, intensificam-se ou comprometem o funcionamento diário. Perturbação de stress pós-traumático, depressão, ansiedade generalizada, consumo aumentado de álcool ou outras substâncias são eventuais problemáticas que poderão emergir. As crianças poderão apresentar alterações de comportamento, ter pesadelos ou dificuldades no funcionamento a nível escolar. Pessoas mais velhas ficam particularmente vulneráveis ao isolamento e a maior instabilidade emocional.
Importa também ter em conta que as catástrofes atingem mais duramente quem já estava fragilizado — social, económica ou psicologicamente. A desigualdade amplifica o sofrimento. Perder a casa quando já se vivia no limite não é apenas um trauma; é um colapso total de referências.
A resposta em saúde mental deve começar cedo e envolver diferentes serviços e profissionais. Numa perspectiva de saúde pública e de trabalho em rede, importa investir na segurança física e informação clara — reduzir a incerteza é reduzir a ansiedade. Concomitantemente é fundamental garantir apoio psicológico de proximidade, não necessariamente clínico numa fase inicial, mas baseado na escuta, validação emocional e restabelecimento de rotinas. Recorrer demasiado cedo e sem critério a medicação tende a ser um erro. Nem todo o sofrimento é patológico.
A médio e longo prazo, é essencial identificar pessoas em maior risco e assegurar acesso a cuidados especializados. A par com a intervenção individual, é crucial investir em intervenções comunitárias, colocando o foco nas redes de apoio e na reconstrução das ligações entre as pessoas e a vida da comunidade. Recuperar da crise não é apenas reconstruir edifícios; é reconstruir o sentido da vida.
Num mundo marcado por alterações climáticas, as catástrofes naturais tendem a fazer parte do ciclo de vida. Isto implica incluir a saúde mental nos planos da proteção civil. Planos de emergência devem incluir equipas de saúde mental treinadas para a intervenção em situações de crise, como é o caso das catástrofes naturais.
Comunidades informadas e treinadas lidam melhor com o imprevisto. A resiliência não nasce do nada — constrói-se antes da crise. E, no depois, importa ter em conta que sobreviver não basta, pois sem saúde mental, não há verdadeira recuperação.
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