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Depois da tempestade

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02.03.2026

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Glória Catarina Pinto

Este ano, o Dia da Árvore, ou Dia Internacional das Florestas, chega diferente.

Chega depois da tempestade. Depois do vento que derrubou milhares, possivelmente milhões, de árvores e abriu clareiras onde antes havia sombra. Muitas dessas árvores não faziam apenas parte da paisagem. Tinham sido plantadas por pais e filhos, avós e netos. Cresceram ao mesmo tempo que as famílias que as que as plantaram e que as viram crescer.

Hoje, mais do que o habitual, camiões carregados de troncos percorrem as estradas. Em cada carga segue mais do que madeira: seguem histórias. Num corte transversal de um tronco leem-se décadas. Contam-se os anos pelos anéis de crescimento. Anéis mais estreitos revelam períodos de seca; anéis mais largos, anos favoráveis. Há marcas de pragas, cicatrizes de vento, sinais de fogo. A ciência chama-lhe dendrocronologia: a leitura do tempo inscrito na madeira e o registo da memória ambiental.

Alguns abates são inevitáveis. Por razões de segurança ou estabilidade, há árvores que não podem permanecer. No entanto, em alguns casos, não se percebe por que razão foram cortadas. Muitas delas eram habitat para aves, insetos e outros pequenos organismos. Mesmo após a queda, a madeira em decomposição continuaria a desempenhar uma função ecológica, devolvendo nutrientes ao solo. Outras eram garantia de semente, essencial à regeneração natural. Cada árvore removida é uma decisão que deve ser ponderada com critério.

Este texto não é sobre o destino da madeira. É sobre o que vem a seguir. Se milhões de árvores caíram, teremos capacidade para produzir e plantar milhões de novas àrvores? Existe capacidade estrutural para tal? Há sementes suficientes e de qualidade, adaptadas às condições climáticas que sabemos estarem a mudar?

A produção de material florestal de reprodução é uma tarefa estratégica. Exige conhecimento, planeamento e tempo. Muitos viveiros com história e competência enfrentam exigências administrativas pesadas, parte delas resultantes de diretivas europeias nem sempre aplicadas de forma harmonizada entre países. Definem-se metas ambiciosas de sustentabilidade, mas nem sempre existem soluções operacionais para as cumprir no terreno. Quem trabalha na produção sabe que há escassez de sementes, sobretudo de semente de qualidade. São necessárias regras claras e um controlo rigoroso, bem como processos que apoiem quem os produtores e valorizem quem tem experiência. Sem capacidade produtiva instalada, não haverá reflorestação possível.

Em meio urbano, as árvores são sombra, retenção de água e qualidade do ar. Algumas terão de ser removidas por apresentarem risco. A tempestade evidenciou a importância do planeamento e da criação das ilhas verdes, previstas em muitos planos municipais de adaptação às alterações climáticas, mas raramente concretizadas.

Plante uma árvore. Alguns dirão que não é a melhor altura. É verdade que existem épocas mais indicadas para plantar. No entanto, é sempre uma boa altura quando se criam as condições adequadas. Este ano, plantar uma árvore e cuidar das que sobreviveram ganha um significado especial. É um gesto concreto de reconstrução e de responsabilidade pelo espaço comum.

Vamos pôr mãos à obra?

Glória Catarina Pinto

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