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“Os pobres de dinheiro e os pobres...”

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15.06.2026

Existem em Portugal duas convicções instaladas de forma mais ou menos generalizada: a de que o maior problema das nossas políticas sociais é a fraude dos pobres que vivem à custa de subsídios; e a de que o país está a ser sugado por uma horda de aproveitadores do Rendimento Social de Inserção (RSI) que vivem bem à custa dos contribuintes, que recusam trabalhar e que usam os apoios do Estado como rendimento permanente de conforto. É preciso ser claro: estas narrativas são falsas; estas convicções estão factualmente erradas; e se fossem verdadeiras, seria muito fácil resolver os problemas do país. A proposta do Governo para a criação de uma Prestação Social Única, tal como está concebida, assenta precisamente nestas falsidades e isso é um erro incompreensível. Vamos aos factos. O Rendimento Social de Inserção custa ao Estado cerca de 350 milhões de euros por ano, num orçamento total que ultrapassa os 120 mil milhões de euros. Falamos de menos de 0,3% da despesa pública total para apoiar cerca de 180 mil famílias, a grande maioria das quais integra pessoas com baixas qualificações, com problemas de saúde, em situações de desemprego de longa duração ou em territórios com mercados de trabalho profundamente deprimidos. O conjunto de todas as prestações sociais não contributivas - RSI, abono de família, rendas sociais e apoios similares - não representa sequer 2% do orçamento do Estado. Quando confrontada com estes........

© Correio do Minho