“As chaves que não abrem tudo ”
Tenho comigo chaves identificadas e misteriosas, recentes e gastas pelo uso. Chaves de portões, gabinetes, pavilhões e salas. Algumas abrem à primeira tentativa; outras exigem paciência e uma inclinação aprendida com o tempo. Dirigir um agrupamento parece, por vezes, isto: chegar antes, sair depois e descobrir qual é a chave certa para cada porta. Quando o ano letivo se aproxima do fim, o som das chaves torna-se mais nítido. Os corredores perdem vozes, as salas são arrumadas e aquilo que durante meses foi pressa, transforma-se num silêncio suspenso. Continuam algumas reuniões e a preparação do que virá a seguir, porque uma escola nunca fecha inteiramente. É então que olho para as chaves e penso no pouco que elas realmente abrem. Abrem portas, mas não abrem a vontade de aprender de um aluno que deixou de acreditar em si. Não abrem a confiança de uma família que chega à escola com experiências difíceis. Não abrem o diálogo onde se instalou o conflito. Não abrem o futuro de quem ainda não consegue imaginá-lo. Para essas portas não há chave de metal. Há........
