“Unanimizar não é solução ”
Não acredito em unanimismos. E não acredito porque se trata de um vocábulo que raramente tem verdadeira correspondência com a realidade. Desse ponto de vista, é ilusório e de certa forma enganador, na medida em que faz passar uma ideia irrealista, uma ideia de unidade que, em boa verdade, é inexistente. Se repararem bem, nem a ditadura derrubada em Abril de 1974 ousou utilizar politicamente tal vocábulo, ciente como estava de que o seu uso seria uma falácia facilmente desmontada. O mesmo ocorre em outras latitudes, onde o regime autocrático foi mais ou menos normalizado. Causa, por isso, enorme espanto o aparecimento no nosso país, de tempos a tempos, de apelos políticos a uma certa forma de unidade, frequentemente contranatura, e também por essa razão bastante identificável com os princípios do tal unanimismo. Formam, ou pelo menos tentam formar, grupos políticos que de comum apenas terão interesses pessoais e/ou de grupo. No plano do conteúdo ideológico e programático, assemelham-se aos famosos albergues espanhóis, locais onde cabe toda a gente, mas sem a necessária coesão. Ou seja, sobram vaidades pessoais e ambições desmedidas, mas falta a coerência ideológica. O único objectivo, mais ou menos declarado, é alcançar o poder, em alguns casos para logo reverter o regime para uma autocracia. O exemplo que certamente surge logo no pensamento de quem me lê, será porventura o do único partido uninominal existente no nosso espectro político. Infelizmente, porém, sobram exemplos de práticas mais ou menos similares, embora não com objectivos políticos tão definidos e tão exteriores ao regime democrático. Lamento, contudo, que o insuspeito Partido........
