“Um regedor para quem está cansado...”
Nos últimos anos temos assistido, quer na Europa, quer em Portugal, ao aparecimento de algumas pessoas na nossa sociedade que desejam o regresso ao autoritarismo e à limitação das liberdades. Para essas pessoas, recordarei um caso ocorrido em Braga, em 1858, há já 168 anos. Importa referir que, segundo o Código Administrativo Português de 1836, em cada distrito passaria a existir um magistrado administrativo com a designação de administrador-geral, em cada concelho um administrador do concelho e em cada freguesia um regedor de paróquia. A eleição do regedor era realizada em conjunto com as juntas das respetivas paróquias, podendo ser eleito qualquer cidadão que integrasse essa junta de paróquia. Através do decreto de 20 de julho de 1842, o regedor passou a ser nomeado por alvará do governador civil, sob proposta do administrador do concelho. Apenas poderia exercer o cargo quem residisse na respetiva paróquia. No exercício das suas funções, o regedor era auxiliado por cabos de polícia, nomeados pelo administrador do concelho, sob proposta do respetivo regedor. Os regedores tinham de usar um casaco azul, que podia ser bordado a ouro, colete de casimira branca com botões das armas reais, calças azuis, botas e chapéu redondo com laço nacional e presilha preta, na qual se encontrava bordado a ouro o nome da freguesia a que pertenciam. Os cabos de polícia usavam chapéu redondo com laço nacional, sendo este circundado por uma fita preta com o nome da freguesia a que pertenciam, em letras amarelas. O exemplo que se apresenta de seguida ilustra bem o ambiente que se vivia em muitas freguesias no tempo desses regedores. Tudo ocorreu no então Campo dos........
