“Máscaras que cabem: quando o...”
Ainda há pouquinho o Carnaval terminou. Para alguns... sim. Para outros… as máscaras continuam. O João (há sempre um João) na escola, aprendeu a responder menos do que sabe. Ninguém lho ensinou de forma explícita, não recorreu a um manual, não houve uma reunião para decidir isso, foi apenas percebendo, aos poucos, que responder demasiado depressa fazia suspirar alguém na sala, que explicar demasiado bem podia provocar um revirar de olhos, que fazer uma pergunta mais complexa era muitas vezes recebido com um “não compliques”, dito com a melhor das intenções, mas ouvido como um aviso. E então começou a calcular não apenas a resposta certa, mas a resposta que cabia. No recreio fala de futebol quando preferia falar de astronomia, ri-se de piadas que não lhe dizem muito, simplifica o vocabulário, reduz o entusiasmo, abranda o pensamento, porque percebeu, mesmo sem ninguém lhe dizer, que para pertencer é preciso, às vezes, caber, e que caber implica ajustar, diminuir, limar arestas. Fevereiro é o mês de máscaras, e no Carnaval todos brincamos com a ideia de sermos outros por uns dias, vestimos personagens, experimentamos identidades, exageramos traços, mas há crianças e jovens que usam máscara o ano inteiro, não por diversão, mas por necessidade, especialmente aqueles cujas capacidades sobressaem, aqueles que pensam mais depressa, que sentem mais fundo, que estabelecem ligações que os outros ainda não viram, e........
