“Há aprendizagens que só...”
Em junho falámos das sementes que lançamos sem saber quando irão florescer. Julho trouxe a resposta — ou pelo menos uma delas. Às vezes as sementes germinam longe das salas de aula, em lugares onde ninguém está a avaliar nada. Escrevo estas linhas a partir do Gerês. À minha volta há mochilas espalhadas, sapatilhas ainda sujas da caminhada noturna, jogos matemáticos esquecidos sobre uma mesa de madeira, gargalhadas que ecoam entre as árvores e um grupo de adolescentes que discute, com entusiasmo, se será possível existir vida noutro planeta. Um pouco mais à frente, outro grupo brinca num rio, como se naquele pequeno curso de água estivesse escondida uma descoberta científica. Todos os anos acontece o mesmo e, ainda assim, nunca é igual. Há qualquer coisa de especial neste lugar. Não é apenas a montanha, nem o silêncio, nem o rio que nos acompanha ao longo dos dias. São os miúdos. Sobretudo eles. Durante esta semana deixam de existir os rótulos que tantas vezes os acompanham durante o ano letivo. Aqui ninguém é “o sobredotado”, “o distraído”, “o esquisito”, “o que faz perguntas a mais” ou “o que nunca para........
