menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

“Os emigrantes e as eleições...”

32 0
01.03.2026

Não é fácil abordar o assunto, nem o antevemos isento de controvérsia, porque mexe com sentimentos, sensibilidades e patriotismos, o que quer que isso seja. Os emigrantes são obviamente portugueses que, pelas mais diversas razões, foram obrigados ou acabaram por escolher viver e trabalhar no estrangeiro. Sempre os considerei uns heróis, porque fugiram ao comodismo de não abandonar a terra natal, aventurando-se por paragens nem sempre, ou raramente, favoráveis, arrostando com sacrifícios de toda a ordem, saudades imensas do seu rincão e dos familiares e amigos que aqui deixaram. Muitos dos que cá ficaram acabam por atolar-se na cobardia de não terem o espírito arrojado e temerário dos que decidiram partir. A emigração é uma componente estrutural da sociedade portuguesa, faz parte da alma identitária deste país à beira mar plantado, desde pelo menos a época dos Descobrimentos e até aos nossos dias. Feliz ou infelizmente. Porque há quem sustente que a emigração é uma oportunidade, um desafio, enquanto outros a vêm como tábua de salvação para conseguirem uma vida melhor, para si e para os seus. Todavia, apesar das raízes multisseculares, apenas a partir da segunda metade do século XIX e após a independência do Brasil (1822) e a emergência do Liberalismo, esse movimento humano, a partir de Portugal, se intensificou, sobretudo rumo a Terras de Vera Cruz. A causa geral do fenómeno migratório num país de estrutura agrária ainda rotineira ou insuficientemente inovadora, como o nosso, era o baixo nível económico da população rural, o crescimento demasiado lento e incapaz de acorrer às necessidades dos habitantes. Dadas as facilidades concedidas pelas vias férreas de ligação ao litoral e aos portos de embarque para aqueles que almejavam por uma ascensão rápida do ponto........

© Correio do Minho