“O deslumbramento nas primeiras...”
Há nas bibliotecas públicas um potencial que se constrói a partir da esperança e da promessa. Entre estantes alinhadas, mobiliário gasto pelo tempo e livros de capas usadas, nasce um território fértil onde a leitura começa antes mesmo de se saber ler. É ali, nesse espaço democrático e aberto, que a leitura emergente encontra terreno fértil para florescer.
Antes de saber decifrar letras, a criança lê com os olhos abertos de espanto. O deslumbramento é, muitas vezes, o primeiro gesto de leitura. É ele que faz a mão estender-se para o livro, que prende o olhar numa ilustração, que transforma uma página virada ao acaso num acontecimento memorável. Sem deslumbramento, o livro corre o risco de ser apenas um objeto; com ele, torna-se descoberta.
Na exploração do livro, sobretudo em contextos de leitura emergente, o deslumbramento não é acessório — é essencial. Um livro que surpreende pelas cores, pelas texturas, pelos recortes, pela descoberta do som........
