Resposta do SUS à emergência climática precisa ser fortalecida
Luciana Brafman — idealizadora da campanha Saúde Mental Climática e fundadora da Time To Act. Advogada, humanitária, produtora, ativista socioambiental e especialista em políticas públicas
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Os impactos mais profundos de um desastre nem sempre são os mais visíveis. Pesquisa inédita do IBGE sobre as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul mostra que, em dois de cada três domicílios das áreas pesquisadas, ao menos um morador teve a saúde mental abalada. O índice, de 67,5%, fez desse o impacto pessoal mais citado pelas famílias, acima das interrupções na vida social e no convívio com familiares e amigos e das dificuldades de deslocamento para o trabalho, a escola ou a creche.
O resultado chama a atenção não apenas pela dimensão, mas pelo que revela sobre a natureza dos desastres climáticos. A destruição de moradias, estradas e serviços essenciais é visível e exige resposta imediata. Já o medo de que a chuva volte, a ansiedade, o luto, a perda de referências e a dificuldade de retomar a vida permanecem quando a fase mais aguda da emergência termina. Enquanto esse artigo é escrito, esse temor voltou a fazer parte da........
