O cemitério que todo escritor perdeu
Em julho de 2026, Simon Kuper encerrou 24 anos de coluna no Financial Times e explicou como trabalhava. A explicação soou modesta e guardava uma tese sobre o nosso tempo.
Cada coluna começava por uma suspeita, e a apuração servia para derrubá-la. Quando os fatos ganhavam, ele recomeçava. Chegava ao leitor o que resistia. Método simples de explicar e quase impossível de cumprir, porque obriga a matar aquilo de que mais gostamos.
Há uma segunda confissão na despedida, menos citada. Kuper conta que precisou aprender a apanhar em público e que sua vida de colunista se divide em antes e depois do Brexit. Defendeu o lado derrotado e seguiu escrevendo mais uma década sob a gritaria de quem venceu.
Naquele momento, discordar virou traição.
O método dependia de um lugar que a despedida não menciona: um cemitério particular. Ali vão parar as teses derrubadas pelo primeiro telefonema, as certezas de segunda-feira desmentidas na........
