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O Brasil de Guimarães Rosa

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28.07.2026

Setenta anos podem transformar um romance em peça de museu. Com João Guimarães Rosa aconteceu exatamente o contrário. O tempo retirou da superfície aquilo que distraía muitos dos primeiros leitores e deixou à vista o essencial. Hoje, Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile parecem ainda maiores do que em 1956. A vida acelerou seu ritmo; Rosa manteve o da criação literária. O vocabulário cotidiano tornou-se mais pobre; sua escrita continuou ampliando as possibilidades da língua portuguesa. As certezas ganharam espaço; Rosa permaneceu fiel à dúvida. Pouquíssimos escritores brasileiros atravessaram sete décadas com tamanha capacidade de desafiar novas gerações de leitores.

Nunca esqueci a morte de Dito, o irmão de Miguilim, em “Campo Geral”. A literatura brasileira possui muitas cenas memoráveis de despedida, mas poucas alcançam a delicadeza construída por Guimarães Rosa. Quando o menino contrai tétano, no meio do sertão mineiro, a medicina já não dispõe de recursos capazes de alterar o desfecho. O que resta é a palavra. Dito chama Miguilim para uma última conversa e lhe pede que conte a........

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