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Gramsci e a recusa de transformar prognóstico em destino

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Antonio Gramsci conheceu o pior que a política pode fazer a um homem e recusou-se a oferecer ao pior a última palavra. Preso pelo fascismo de Mussolini, doente, vigiado, privado da liberdade, continuou pensando e escrevendo. Sua inteligência enxergava perfeitamente a brutalidade ao redor. Sua vontade se recusava a tratá-la como sentença definitiva.

“Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade.” A fórmula ficou ligada a Gramsci, embora ele próprio a atribuísse a Romain Rolland. Poucas frases atravessaram o século XX com tamanha capacidade de separar lucidez de resignação. 

Pensar exige reconhecer forças adversárias, derrotas possíveis, limites concretos. Agir exige impedir que esse conhecimento seja transformado em argumento para desistir antes da luta.

O fascismo italiano não oferecia a Gramsci nenhuma razão objetiva para cultivar ilusões. Em 1926, o regime o colocou na prisão e tentou também encarcerar seu pensamento. Fracassou. Os Cadernos do cárcere nasceram daquele confronto entre um corpo progressivamente debilitado e uma mente que se negava a entregar as chaves.

Esse é o ponto decisivo. Pessimismo intelectual significa olhar a realidade sem maquiagem. Examinar fatos, calcular riscos, reconhecer que determinadas batalhas podem ser perdidas. Otimismo da vontade começa justamente depois disso. Ele não falsifica o diagnóstico. Recusa apenas transformar diagnóstico em destino.

Albert Camus chegou ao........

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