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Em Ormuz, o conflito começa pelo bolso do planeta

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14.04.2026

O Estreito de Ormuz transformou-se numa ampulheta invertida onde não escorre areia, mas petróleo — e cada grão retido pressiona o mundo inteiro contra o vidro. De um lado, navios de guerra; do outro, a pulsação invisível das economias. No centro, um gargalo estreito demais para conter ambições tão largas. Basta um gesto em falso, um cálculo ligeiramente errado, e o fluxo vital que alimenta indústrias, cidades e governos pode se converter em asfixia global. Ormuz já não é geografia. É um ponto de estrangulamento da história.

Ormuz não é apenas um ponto no mapa; é uma palavra que atravessou séculos carregando camadas de sentido. Seu nome pode derivar de Ahura Mazda, divindade central do zoroastrismo, ou da paisagem de tamareiras que marcava antigas rotas comerciais. Entre religião, natureza e comércio, consolidou-se como passagem estratégica. Hoje, essa herança assume outra forma: não mais um caminho de riqueza compartilhada, mas um gargalo onde se decide quem passa — e quem arca com o custo global.

A guerra entre Irã e Estados Unidos já não cabe mais nos mapas militares. Ela transbordou para o sistema nervoso da economia global — e, como todo conflito que atinge o coração da energia, passou a ser medida em dólares por barril, não em quilômetros de território.

No fim de semana, no Paquistão, negociadores tentaram fabricar uma pausa artificial na........

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