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A pintura que uniu Freud, Lenin e Hitler

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Um barco avança sem pressa sobre águas densas. À frente, uma ilha de rocha compacta se ergue como um recinto fechado. Ciprestes verticais comprimem o céu. Um caixão, uma figura branca, nenhum gesto supérfluo. Em A Ilha dos Mortos, Arnold Böcklin construiu uma imagem que não conduz o olhar — captura-o.

Nascido em Basileia, em 1827, formado na Academia de Düsseldorf, Böcklin encontrou na Itália — especialmente em Roma e Florença — a gramática visual que definiria sua obra: mitologia, ruínas, natureza carregada de sentido. Sua pintura rejeita o realismo industrial do século XIX e se aproxima de uma linguagem simbólica, atravessada por alegorias e visões interiores. A morte não aparece como evento isolado, mas como condição difusa. Essa tonalidade não é abstrata: oito de seus quatorze filhos morreram precocemente,........

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