A Globo perdeu o púlpito, conserva o sermão e continua se achando
A Globo gastou onze minutos na abertura do Jornal Nacional de sexta-feira, 2 de outubro, para explicar por que decidiu cancelar o debate presidencial previsto para a noite anterior. O espaço assumiu o formato de defesa da própria emissora: manifestações de solidariedade, juristas, especialistas e a insistência de que aquele encontro seria indispensável para o eleitor conhecer propostas e decidir melhor.
A impressão transmitida foi quase cômica: sem o debate da Globo, milhões de brasileiros chegariam às urnas no domingo como quem entra num quarto escuro. Faltou ressuscitar o óleo de fígado de baleia e oferecê-lo como remédio simultâneo para unha encravada, artéria entupida e indecisão eleitoral.
O cabotinismo empresarial atingiu o teto.
Durante dois anos, candidatos viajaram pelo país, concederam centenas de entrevistas, participaram de sabatinas, comícios, carreatas, podcasts, programas de rádio, transmissões digitais e outros debates. Houve propaganda eleitoral, redes sociais funcionando dia e noite e aplicativos levando discursos, propostas, ataques e contradições diretamente ao eleitor.
Tudo isso, então, teria sido inútil?
O exagero seria apenas vaidade corporativa se não carregasse uma mensagem........
