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A força de Pequim

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22.05.2026

Há mais de trinta anos acompanho o desenvolvimento chinês, estudo suas estruturas de poder, observo suas reformas econômicas e procuro compreender como uma civilização milenar conseguiu atravessar guerras, humilhações externas, fome coletiva e revoluções sem perder a capacidade de planejar o futuro.

Poucos países contemporâneos demonstram tamanho senso de continuidade histórica.

Em salas de aula universitárias, congressos acadêmicos e artigos publicados ao longo dessas décadas, sempre chamaram atenção a velocidade e a profundidade das transformações chinesas. Nessas pesquisas, ensaios e análises jornalísticas, recorro permanentemente a fontes ocidentais de reconhecida credibilidade — Banco Mundial, FMI, ONU, universidades europeias e norte-americanas, relatórios econômicos internacionais, além de jornais como The New York Times, Financial Times e The Economist.

A intenção é simples.

Fugir tanto da propaganda quanto do preconceito ideológico.

A China exige observação cuidadosa.

Ao longo de mais de quatro milênios, o país atravessou guerras civis, invasões estrangeiras, rupturas dinásticas, fome e revoluções sem abandonar aquilo que talvez seja sua marca mais singular: a disposição de pensar em horizontes históricos longos.

Num planeta dominado pela ansiedade eleitoral, pelas oscilações das bolsas e pela velocidade superficial das redes sociais, Pequim opera em outro ritmo.

O governo chinês projeta ferrovias, universidades, corredores industriais e investimentos energéticos olhando para 2035, 2049 e até 2075.

Não se trata apenas de economia.

Trata-se de visão histórica.

Existe uma frase atribuída ao então primeiro-ministro chinês Zhou Enlai (1898–1976) que ajuda a compreender essa mentalidade. Questionado sobre os impactos da Revolução Francesa de 1789, Zhou teria respondido: “Ainda é cedo demais para avaliá-la.”

A frase talvez nunca tenha sido dita exatamente dessa maneira. Ainda assim, tornou-se simbólica porque traduz uma característica profunda da cultura política chinesa: processos históricos relevantes não são julgados pela espuma dos acontecimentos imediatos.

Quando o presidente Xi Jinping (1953– ) declarou, em fevereiro de 2021, que a China havia eliminado a pobreza extrema em todo o país, o anúncio sintetizava um projeto iniciado décadas antes por Deng Xiaoping (1904–1997).

Entre 1978 e 2024, mais de 800 milhões de chineses deixaram a pobreza, segundo o Banco Mundial.

Nenhuma transformação social contemporânea ocorreu nessa escala.

Em 1981, quase 88% da população chinesa vivia em extrema pobreza. Hoje, a segunda maior economia do planeta abriga uma classe média estimada em mais de 400 milhões de pessoas.

O PIB chinês ultrapassou US$ 18 trilhões em 2025.

A China tornou-se o maior parceiro comercial de mais de 120 países. Também consolidou-se como principal comprador de commodities brasileiras, especialmente soja, minério de ferro e petróleo.

Tenho escrito inúmeros artigos ao longo dos anos tratando dessas mudanças da maneira mais imparcial possível, sempre estabelecendo comparações internacionais indispensáveis para compreender a velocidade da........

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