menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A fábrica de pessoas obedientes

27 0
24.09.2026

Uma pessoa pode conhecer filosofia, ouvir Bach, citar Kant de memória e entregar a própria cabeça ao primeiro líder que lhe ofereça uma certeza. Foi esse o assombro que atravessou Dietrich Bonhoeffer ao observar a Alemanha culta ajoelhar-se diante de Hitler. 

A inteligência permanecia ali. O que desaparecia era a disposição de usá-la contra a corrente.

Bonhoeffer escreveu “Sobre a estupidez” em 1942, no ensaio “Dez anos depois”, antes de ser preso pela Gestapo. O dado importa porque suas palavras nasceram da experiência de uma sociedade que se degradava à sua volta. Ele via professores, funcionários, religiosos e cidadãos instruídos repetirem absurdos com a serenidade de quem acreditava cumprir um dever.

Para ele, a estupidez tinha pouca relação com limitações intelectuais. Surgia assim que alguém entregava a outro o trabalho de julgar. 

O sujeito continuava capaz de raciocinar, porém já raciocinava dentro da cerca. Reunia argumentos, selecionava fatos, descartava perguntas e chamava esse serviço prestado à obediência de convicção pessoal.

A conclusão mais dura veio em seguida. A maldade pode ser........

© Brasil 247