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A epidemia silenciosa do vazio

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23.05.2026

A solidão mudou de endereço. Já não vive apenas em casas vazias, asilos esquecidos ou pequenas cidades silenciosas. Agora atravessa aeroportos lotados, universidades, empresas, restaurantes e apartamentos iluminados por telas permanentes. Milhões de pessoas conversam o dia inteiro sem realmente se sentirem vistas.

Escrevo sobre esse tema porque ele me atravessa pessoalmente. Em meio à avalanche de guerras, conflitos que escalam rapidamente e tragédias transmitidas ao vivo para dentro dos nossos celulares, vejo surgir uma sociedade saturada de estímulos rápidos e interação superficial. Enquanto o mundo grita sem parar, desaparecem lentamente gestos humanos fundamentais: conversas honestas, escuta paciente, silêncio compartilhado, presença afetiva, palavra humana e olhar humano verdadeiro.

Tenho observado algo ainda mais perturbador. Somente na última semana, em três ligações telefônicas diferentes, depois de poucos minutos de conversa, precisei perguntar se estava falando com um robô, uma inteligência artificial ou com um ser humano real. Em duas delas, sequer foi necessário ouvir a resposta. A própria voz mecânica interrompia a conversa, dizendo que “não havia compreendido” o que eu acabara de falar. Talvez esse seja um dos retratos mais precisos da comunicação rotineira destes dias: falamos o tempo inteiro e, ainda assim, sentimos que ninguém realmente escuta ninguém.

A Organização Mundial da Saúde........

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