menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Cinco semanas dramáticas

27 0
31.08.2026

“Todos os diabos são parecidos”. “Um ruim com outro se quer”. “Vê bem o terreno que pisas” (Provérbios populares portugueses).

O perigo que nos ameaça deve ser levado a sério. Não se trata de alarmismo, mas de lucidez. Ignorar o que aconteceu no Chile, Peru e Colômbia há poucos meses seria fatal. Diminuir que, diferente de 2022, é Donald Trump que está na Casa Branca seria infantil. Análise contaminada pelo desejo não é saudável otimismo, é autoengano ingênuo.

As pesquisas revelam, até o início do horário gratuito em rádios e televisões, que o desfecho da eleição presidencial permanece imprevisível. Ou seja, estabilidade na indefinição quer dizer que a extrema direita pode voltar ao poder, ainda mais quando consideramos que há, em escala internacional, um “silêncio” dissimulado ou voto “oculto” de uma parte de sua base eleitoral.

Os dados sugerem, dramaticamente, uma dinâmica muito parecida com 2022, confirmando que a nação ainda está fraturada, social e ideologicamente, e os neofascistas mantém liderança intacta sobre a massa da burguesia, uma maioria da classe média mais acomodada, e influência entre os trabalhadores “remediados”. Mas, ao contrário de quatro anos atrás, não há o mesmo nível de engajamento na esquerda.

Recordemos que a motivação da militância foi decisiva no “arrastão”, nas ruas e nas redes, que garantiu a vitória “por um triz” contra Jair Bolsonaro. Nas próximas cinco semanas o desafio é convencer todo o ativismo de todas as causas justas, dos mais moderados aos mais radicais, que será vital vencer as eleições. Trata-se de realismo revolucionário: ganhar tempo diante de uma........

© Brasil 247