Jorge Messias precisa decidir que lado está
Jorge Messias começa a me lembrar perigosamente de um erro cometido durante o governo Dilma Rousseff: aquilo que ficou conhecido como um certo “republicanismo”, que muitas vezes confundiu respeito às instituições com incapacidade de reagir politicamente quando essas mesmas instituições começavam a ser instrumentalizadas. E não faço essa comparação gratuitamente.
Durante o início da Lava Jato, qual quando ela já dava demonstrações políticas contra o governo Dilma, ** o governo **foi duramente criticado dentro do próprio campo governista por sua postura diante da Polícia Federal e da ofensiva conduzida a partir de Curitiba.
Evidentemente, não cabia ao ministro da Justiça mandar a Polícia Federal investigar ou deixar de investigar quem quer que fosse. O problema era exatamente o contrário.
Enquanto o governo fazia questão — corretamente — de não interferir na Polícia Federal, Sérgio Moro e a força-tarefa do Ministério Público construíam uma relação entre investigação, acusação, Justiça e disputa política que posteriormente seria profundamente questionada e desmascarada.
Foi uma assimetria devastadora. De um lado, um governo preocupado em demonstrar que não controlava a Polícia Federal. Do outro, uma operação que adquiria enorme protagonismo político e ajudava a estabelecer quais personagens seriam colocados no centro da agenda nacional.
Quando finalmente, o mesmo José Eduardo Martins Cardoso, iniciou uma reação mais contundente na defesa contra o impeachment do governo de Dilma Rousseff, que já havia sido pedido e aceito pelo inescrupuloso Eduardo Cunha, e passou a denunciar o impeachment como golpe e enfrentando juridicamente aquela ofensiva, ela já estava praticamente consumada.
Era tarde. Dilma caiu. E aquilo que muitos trataram como episódios isolados abriu caminho para uma sequência de acontecimentos que culminaria no bolsonarismo e em uma das maiores crises institucionais desde a redemocratização.
Mais tarde, depois de todo o estrago, que culminou com uma tentativa de golpe em janeiro de 2025, houve o reconhecimento dos abusos e a demissão de membros do Ministério Público e suspeição do nefasto juiz da república de Curitiba.
Ato contínuo, vimos a entrada do líder dos procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol, na política partidária, elegendo-se deputado federal por um partido de direita e aliado do mesmo........
