Europa quase infernal
Desde maio, tem havido muita conversa sobre um diagnóstico sufocante que ocupa manchetes urgentes em jornais e revistas, rádio e televisão. A causa desse fenômeno —a estreita relação entre o aquecimento global e os verões escaldantes— também está nas notícias, mas com menos frequência. E a responsabilidade direta pelo uso exagerado de combustíveis fósseis como eixo de um sistema de produção dominante aparece apenas nas análises mais especializadas. Nesse contexto, as forças políticas que minimizam o problema —e que, frequentemente, chegam ao ponto do negacionismo climático— continuam atuando como cúmplices do atual desastre climático.
Pouco de pontual, muito de constante
No Norte, julho e agosto quebraram recordes, e ainda falta um mês para o fim de um verão, com quatro ondas sucessivas de calor, quase sem trégua entre uma e outra. Períodos de vários dias com temperaturas acima da média esperada para essa época do ano, dias de máximas não inferiores aos 30-35 graus e noites com temperaturas acima de 20 graus.
É uma situação térmica que gera estresse climático-sanitário, ao ameaçar a saúde das pessoas, especialmente das mais vulneráveis, devido à idade ou a doenças. Aumentam as complicações cardíacas, circulatórias e respiratórias e, em alguns casos, o desfecho é fatal. Em meados de agosto, o calor já causou a morte “prematura” de mais de 25 mil pessoas na Europa. (https://www.meteosuisse.admin.ch/meteo/meteo-et-climat-de-a-a-z/canicule.html).
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o que caracterizou o estado do clima em julho e início de agosto no Hemisfério Norte foram as temperaturas recordes na superfície da terra e do mar. Junto com esse calor extremo, secas persistentes e incêndios florestais devastadores. O julho mais quente já registrado em âmbito mundial, repetindo a cifra registrada em julho de 2024, confirma a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, em inglês).
Na Europa, especificamente, o serviço Copernicus sobre mudanças climáticas, que depende do Centro Europeu de Previsão de Tempo a Médio Prazo (ECMWF, em inglês), confirma que foi o segundo julho mais quente já registrado, com uma temperatura média do ar próximo à superfície 1,47°C superior à média pré-industrial estimada (1850-1900). Dados mais do que alarmantes se considerarmos o aquecimento progressivo de julho desde 2016, com registros anuais sucessivos de 2023 até hoje. (https://wmo.int/media/news/world-has-second-warmest-july-record).
Além disso, durante a primeira metade deste ano, aproximadamente 82% dos oceanos experimentaram ondas de calor marinhas de alta intensidade. Em........
