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Um ano após a chacina no Complexo do Alemão, pesquisador Daniel Silva traz a esperança para o centro do debate acadêmico e político

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Um ano após a chacina nos complexos do Alemão e da Penha, a memória das vítimas e as formas de resistência territorial voltam ao centro do debate acadêmico e político. A convite da professora Matheux Shwartzmann, o pesquisador e professor Daniel Silva ministrou uma aula especial no âmbito dos estudos em semiótica da Unesp. Sob o título Recursos Semióticos e Produção da Esperança: um diálogo com o ativismo periférico do Rio de Janeiro, a conferência colocou em questão o espetáculo da violência e destacou a capacidade das próprias comunidades de produzir conhecimento, exercer agência política e construir possibilidades de futuro.

A imagem, o luto e a agência dos moradores

Daniel Silva iniciou sua análise pela reconstituição dos acontecimentos na Pedreira, área de mata situada no território dos complexos. Diante do abandono de dezenas de corpos em locais sem cobertura de câmeras corporais policiais, moradores e ativistas assumiram a tarefa de resgatá-los e levá-los à Praça do Terço, onde foram enfileirados.

A cena não expressou apenas o luto e a dor das famílias. Revelou também uma sofisticada compreensão dos recursos midiáticos e semióticos mobilizados na disputa pela memória pública. Ao transformar a praça em espaço de despedida e denúncia, os moradores expuseram a dimensão da violência e intervieram na narrativa dos acontecimentos. Em vez de permanecerem como personagens de uma tragédia contada por terceiros, assumiram o protagonismo da denúncia e da produção de sentidos........

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