Prêmio Nobel aponta filho de Bolsonaro como peça da ofensiva da extrema direita na América Latina
A crise climática e a crise democrática não podem mais ser tratadas como fenômenos separados. Essa é uma das principais conclusões de uma conversa entre a escritora e ativista Naomi Klein, o ambientalista Bill McKibben e a cientista e ativista Ayana Elizabeth Johnson, publicada no Substack. No debate, os três relacionam a expansão dos data centers e da inteligência artificial à disputa política sobre energia e meio ambiente e, a partir daí, ampliam a discussão para a ascensão da extrema direita e do fascismo.
Klein, autora de Doppelganger: A Trip into the Mirror World, obra que venceu o inaugural Women’s Prize for Non-Fiction em 2024, sustenta que o fato de a mudança climática eventualmente perder espaço nas pesquisas eleitorais não significa que o problema tenha desaparecido.
Para ela, o planeta continua sendo um ator político. Ondas de calor, secas, falta d’água, colapsos ambientais e outros eventos extremos recolocam a questão climática no centro da vida social, independentemente de sua posição momentânea nas pesquisas de opinião.
É justamente nesse ponto que Klein estabelece uma conexão com a ascensão da extrema direita.
Um fenômeno que atravessa fronteiras
Ao contrário da tendência de interpretar o avanço da extrema direita como um fenômeno exclusivamente norte-americano, Klein chama atenção para seu caráter internacional. Em sua análise, diferentes países da América Latina apresentam movimentos políticos que compartilham elementos de uma mesma gramática autoritária: nacionalismo, fortalecimento das fronteiras, militarização, perseguição a adversários e construção de determinados grupos sociais como ameaça.
É nesse contexto que ela menciona o Brasil.
Klein afirma que forças da direita internacional estão trabalhando para favorecer o retorno de um dos........
