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Feminicídio, pautas de costumes e “esquerda radical”: a nova guerra cultural no Brasil

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O avanço do eleitorado conservador e de direita no Brasil consolidou uma presença expressiva desse campo político no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas. Ao mesmo tempo em que governadores de centro-direita procuram ampliar sua legitimidade por meio de uma agenda pragmática, associada à gestão, à economia e à entrega de resultados, cresce no Legislativo uma corrente política fortemente vinculada às chamadas pautas de costumes e à guerra cultural. A disputa já não se limita à economia ou à administração pública; agora ela alcança os sentidos atribuídos à família, ao gênero, à sexualidade, à educação, às ações afirmativas, aos direitos dos povos originários e às políticas de proteção social.

Nesse cenário, a Presidência da República, sob Luiz Inácio Lula da Silva ou sob qualquer governo progressista, passa a ocupar uma posição estratégica dentro do sistema de freios e contrapesos. O Executivo federal não controla sozinho a agenda nacional, mas possui instrumentos constitucionais capazes de impedir que determinadas maiorias legislativas convertam automaticamente suas pautas em políticas de Estado.

O fenômeno das votações recordes em São Paulo

São Paulo tornou-se um dos principais laboratórios dessa transformação política. O ecossistema digital do eleitorado conservador conseguiu converter influência nas redes sociais em capital eleitoral, projetando novas figuras para o Legislativo com votações expressivas e discursos fortemente concentrados na guerra cultural.

Nesse ambiente, Lucas Pavanato, do PL, construiu sua projeção política a partir de confrontos públicos em universidades, da oposição a direitos de pessoas trans, da crítica às cotas raciais e da defesa de posições conservadoras em temas como o aborto. Sua trajetória evidencia como a controvérsia digital pode deixar de ser apenas instrumento de visibilidade para se transformar em mecanismo de construção de carreira política.

Eduarda Campopiano, também do PL, tornou-se outro exemplo da força dessa dinâmica ao conquistar expressiva votação e construir uma imagem pública associada à oposição à chamada “cultura woke”, às críticas ao feminismo e a posições controversas sobre questões históricas e povos originários.

Mais do que casos individuais, essas trajetórias revelam uma mudança na relação entre comunicação e política. O que antes dependia de estruturas partidárias, tempo de televisão e redes tradicionais de influência pode ser acelerado por comunidades digitais........

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