Ciro Gomes, Contarato e Lula: o que salta aos olhos
Três cenas revelam um mesmo sintoma da política brasileira contemporânea.
No aeroporto de Guarulhos, Ciro Gomes atravessa o saguão entre centenas de pessoas sem despertar atenção. Paro diante de uma banca de vendedoras de perfumes e pergunto se haviam notado quem acabara de passar. Elas confirmam que era Ciro. Pergunto então se alguém ainda nutria apreço pelo antigo presidenciável. A resposta vem rápida, coletiva e quase desinteressada. Quem liga? Um nome que disputou a Presidência da República em três ocasiões, figura histórica da esquerda brasileira, cruza um dos aeroportos mais movimentados do país sem provocar sequer curiosidade. Não se trata exatamente de invisibilidade. Trata-se de um julgamento silencioso.
No campus do IFES, em Vila Velha, a cena é outra. Durante uma palestra e uma banca de mestrado ao lado do professor Kaic Dutra-Pereira, escuto algo repetido com naturalidade por quem vive aquele espaço. Aquele campus existe e produz porque houve governo. O que antes era lixão tornou-se território de pesquisa, formação e mobilidade social. O prédio fala antes do discurso. Há políticas públicas que não precisam ser anunciadas, porque permanecem concretas no........
