26 de Julho: Dia Internacional do Orgulho PcD – uma política da dignidade, não uma celebração da superação
Durante muito tempo, a deficiência foi narrada entre dois extremos igualmente limitadores. De um lado, a tragédia individual que deveria ser corrigida pela medicina, e de outro, a história de superação destinada a inspirar quem nunca experimentou as barreiras impostas pela exclusão. O Orgulho da Pessoa com Deficiência nasce precisamente para romper com essas duas narrativas.
A escolha da palavra “orgulho” representa uma tomada de posição política semelhante àquela construída por outros movimentos sociais que recusaram a vergonha como condição de existência. O orgulho não nega as dificuldades impostas pela deficiência. Rejeita, isto sim, a ideia de que corpos e formas distintas de perceber o mundo devam ser vividos como motivo de constrangimento, pena ou excepcionalidade.
O marco histórico desse movimento remonta a 26 de julho de 1990, quando os Estados Unidos aprovaram a Americans with Disabilities Act (ADA), legislação que transformou a proteção jurídica das pessoas com deficiência ao proibir, de forma abrangente, práticas discriminatórias. Ainda naquele ano, Boston realizou o primeiro Dia do Orgulho PcD. Em 2004, Chicago sediou a primeira Parada do Orgulho PcD, evento que se consolidou e fez de julho o Mês Internacional do Orgulho da Pessoa com Deficiência.
É importante distinguir essa data do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro – dia do meu aniversário – e instituído pelas Nações Unidas em 1992. Enquanto dezembro enfatiza a promoção global dos direitos das pessoas com deficiência, julho introduz uma dimensão política particular. Estamos falando de afirmar pertencimento, identidade e reconhecimento, e não apenas de reivindicar inclusão!
Essa mudança acompanha uma transformação profunda na maneira como a deficiência passou a ser compreendida.
Nas últimas décadas, predominou o chamado modelo médico, segundo o qual a deficiência seria uma condição individual a ser tratada, reabilitada ou compensada. O modelo social, desenvolvido posteriormente por pesquisadores e movimentos de pessoas com deficiência, desloca esse........
