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“Já que eu não tenho coragem de me matar, como viver?”

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25.08.2026

“Já que eu não tenho coragem de me matar, como viver?”

A frase, dita por Samuel Lourenço Filho ao rememorar sua experiência, não é uma frase confortável. E talvez justamente por isso ela mereça ser ouvida.

Não porque apague o crime cometido ou porque transforme o autor em vítima, e muito menos porque a literatura, a religião ou a educação possam funcionar como uma espécie de absolvição moral. A frase interessa porque abre uma pergunta maior do que a biografia de um homem que passou pelo sistema prisional: o que significa viver depois da pena?

Samuel foi encarcerado no Rio de Janeiro em 2007. Durante os anos de prisão, encontrou nos livros uma possibilidade de sobrevivência subjetiva e chegou a atuar como bibliotecário dentro da unidade prisional. Saiu em liberdade em 2017. Depois, ingressou no ensino superior, tornou-se escritor, pesquisador, palestrante e passou a produzir uma obra dedicada à experiência do cárcere, à ressocialização e à vida do egresso.

Seu percurso, entretanto, não deveria ser transformado em uma narrativa simples de superação. Há algo mais difícil nessa história: a responsabilidade pelo crime pode coexistir com a possibilidade de reconstrução da vida?

A pergunta importa porque o Brasil costuma imaginar a pena como um ponto final. Prende-se alguém, cumpre-se a sentença e, teoricamente, a pessoa retorna à sociedade. Mas os números mostram que o retorno acontece dentro de um sistema que ainda apresenta enormes dificuldades para produzir condições concretas de reinserção.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), o Brasil tinha, ao final de 2025, 960.976 pessoas privadas de liberdade; dessas, 727.301 estavam custodiadas em celas físicas, enquanto outras cumpriam prisão domiciliar com ou sem monitoramento eletrônico. O país contava ainda com 1.360 estabelecimentos prisionais.

O problema não termina na quantidade de pessoas encarceradas; ele aparece também na capacidade de preparar essas pessoas para o retorno.

Em 2025, segundo dados da própria SENAPPEN, 192.338 pessoas privadas de liberdade participaram de atividades laborais. É um avanço, mas está longe de significar........

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