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André Janones e a guerra das redes: alerta estratégico ou ressentimento político?

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15.08.2026

“Flávio ultrapassará Lula até a segunda semana de setembro. Salvem esse tuíte!”, escreveu o deputado André Janones em seu perfil no “X”. E, como quem sabe exatamente o tipo de reação que uma frase dessas provoca nas redes, completou dizendo que “nem analistas, nem comentaristas, nem a esquerda e, pasmem, nem os próprios bolsonaristas têm a exata noção do que está por vir.” Janones pode estar errado. Pode estar exagerando. Pode estar fazendo aquilo que sabe fazer melhor: provocar para ser ouvido. Também pode estar profetizando “em nome de Jesus”, como bom membro da Igreja Batista da Lagoinha que ele ainda é. Não sei ao certo. Mas talvez exista alguma coisa no meio dessa provocação que a esquerda deveria ouvir.

A frase mais importante do seu comentário, na minha opinião, não é a previsão sobre uma possível virada de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto. É outra: “Quem domina as redes domina a vida política”. Isso não é exatamente uma descoberta de Janones. A extrema-direita brasileira já entendeu isso há muito tempo. Enquanto uma parte da esquerda ainda discute qual é a melhor forma de explicar uma política pública, a direita digital aprendeu que, muitas vezes, ninguém está interessado em explicações. O que interessa é a sensação. É o corte. É a indignação. É o inimigo da vez. É aquilo que cabe em quinze segundos e pode ser compartilhado antes mesmo que alguém tenha tempo de perguntar se é verdade ou mentira.

Que a política mudou de lugar, isso é fato. E uma parte da esquerda ainda parece estar procurando o endereço. Janones sabe disso porque ajudou a transformar a comunicação política brasileira em uma espécie de ringue permanente. Em 2022, ele foi um dos principais personagens da estratégia digital que ajudou a campanha de Lula a enfrentar Bolsonaro justamente no terreno em que o bolsonarismo parecia imbatível: o da provocação. Janones não falava como um político tradicional. E talvez tenha sido exatamente essa a sua força. Ele falava como a internet falava. Brigava como a internet brigava. Provocava como a internet provoca. E, principalmente, entendia que engajamento não nasce necessariamente da concordância. Muitas vezes nasce do ódio.

É aí que começa a parte incômoda dessa história, porque Janones alerta para a força da extrema-direita nas redes, mas também construiu sua própria comunicação utilizando........

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